LEI MARIA DA PENHA
Numape da Unioeste reforça apoio a mulheres vítimas de violência em Toledo
Núcleo prestou 193 atendimentos em 2025 e destaca que combater a violência doméstica exige acolhimento, informação e mudanças culturais
Publicado em 07/08/2026 às 10:00
Duas décadas após a criação da Lei Maria da Penha, considerada um dos maiores marcos na proteção dos direitos das mulheres no Brasil, os desafios para enfrentar a violência doméstica permanecem urgentes. Em Toledo, o Núcleo Maria da Penha (Numape), da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), atua na linha de frente do acolhimento e da defesa de mulheres em situação de violência, oferecendo atendimento gratuito e contribuindo para a formação de futuros profissionais comprometidos com a garantia de direitos.
O Numape reúne uma equipe multidisciplinar formada por dez integrantes, entre coordenação técnico-científica, docentes, advogadas, assistente social, bolsistas e estagiários das áreas de Direito, Serviço Social e Psicologia. O trabalho desenvolvido pelo núcleo integra ensino, pesquisa e extensão, fortalecendo tanto a formação acadêmica quanto o atendimento à comunidade.
Em 2025, o projeto realizou 193 atendimentos a mulheres em situação de violência doméstica e intrafamiliar. Além do acompanhamento sociojurídico gratuito, o núcleo desenvolve ações de prevenção, orientação e mobilização social, buscando ampliar o acesso à informação e fortalecer a rede de enfrentamento à violência contra a mulher.
Entre os principais objetivos do Numape estão o aprimoramento de diagnósticos sobre a violência de gênero, a qualificação da formação universitária e a promoção de iniciativas educativas que contribuam para a prevenção da violência e para a defesa dos direitos das mulheres.
O trabalho do núcleo ganha ainda mais relevância diante dos indicadores recentes. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o Paraná registrou 87 casos de feminicídio, ocupando a quinta posição entre os estados brasileiros com maior número de ocorrências. Os dados reforçam a necessidade de fortalecer políticas públicas, ampliar a rede de proteção e promover ações permanentes de conscientização.
Para a coordenadora do Núcleo Maria da Penha da Unioeste, professora Ana Carolina Becker Niiside, os números evidenciam que o enfrentamento à violência contra a mulher exige não apenas atendimento especializado, mas também mudanças estruturais na sociedade. "Os maiores desafios do Numape são acompanhar, com as limitações de um projeto de extensão, o crescimento dos casos de violência doméstica em Toledo e contribuir para romper uma cultura que ainda responsabiliza as mulheres pela violência que sofrem. Muitas delas permanecem presas ao ciclo da violência porque essa realidade foi naturalizada ao longo do tempo. Nosso papel é fortalecer essas mulheres, garantir o acesso aos seus direitos e mostrar que existe uma rede de apoio preparada para acolhê-las", destaca.
Fonte: Unioeste Toledo
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